segunda-feira, 23 de abril de 2012





O que era meu se tornou tão nosso.
Se pra uns seria só pra um, aqui se multiplica.
Multiplicam-se os espaços, os cantos compartilhados.
O melhor da acolhida é confundir: eu, usted, nós e nosotros.
Não há nada só meu que não possa ser nosso.

quarta-feira, 28 de março de 2012



Depois de descansar esperas e expectativas tudo ficou tão simples e quieto. Noites de não-pensar. Noites de desembaraços. Dúvidas ou certezas são desimportâncias de uma mesma inexistência. Deito e me deleito no prazer de não ter. 
Não é para o sem-fim o apego a um descanso assim. Vibrar ainda é preciso. 
Mas, ao sentir a exata emoção dos encontros, na deitada hora do sono se fez paz . 
É a leveza do que não se sente.



"...O melhor do nó é desatar. 
Bom é se entender. 
Não que eu queira tudo pronto, mas o silêncio é um alívio. 
E a melhor coisa do melhor dia da sua vida é quando chega a hora de dormir."
Pedro Rocha

quarta-feira, 21 de março de 2012



E quando eu souber todos os caminhos que me levam à minha casa, vou querer partir. Quando souber o melhor lado da calçada, os batentes mais baixos, os buracos mais rasos, o tempo do sinal; quando souber o que cada esquina guarda, quero partir. Quero outros descaminhos, outros desconhecimentos, outras estranhezas. 
Quero outras saudades.
Quando meu caminho virar um hábito, ficar adormecido, vou partir. 
Sei que a mesma intensa-vontade de hoje querer assumir moradia, será a mesma intensa-vontade de um dia querer partir quando tudo ficar conhecido demais. Acalmado demais.
Um dia, quero sentir saudades daqui.

"Mas os caminhos não acabam." 
Riobaldo - Grande sertão: veredas

quarta-feira, 14 de março de 2012



Abro meus espaços, meus cantos. Dou meu peito, meu colo, meu braço e abraço até o sonho chegar.
Mas não sabem eles que quem deita nos seus sonhos sou eu.
Meus pequenos. Meus amores.
=)

domingo, 11 de março de 2012




Mesmo sem mágoas, nem desejos de águas fundas, tinha que ir onde canta a música.
Porto de jangadas - Mucuripe.


quarta-feira, 7 de março de 2012




E se hoje chega um desejo desafobado e um tanto arranhado, é porque o princípio vem de longe. A vontade não mais se inteira em sua origem. Mas saiba: a essência do que sempre foi, sempre será. É de-longe-ao-longe meu bem sentir por você.
Um pôr do sol e uma canção de amor quis te dar.

domingo, 4 de março de 2012

                     


Aqui onde aprendi primeiro a confiar pra depois conhecer. Onde a intimidade antecede o tempo e o tempo tem seu tempo de descanso. Aqui onde fim de tarde pede aconchego e avião voa baixo pra lembrar céu a quem fica. Onde o mundo cabe numa mesa e futuro paira na mão. Desprender-se é encontrar-se. Chão é descanso. Rosa é cor-de-lar e azul acolhe lembranças. Aqui, flor dá boas-vindas e bambu rodopia embalando vento. Aqui revi fé, corpo e mente; me reencontrei há dez anos atrás e hoje quero reencontrar "Ilusões". Aqui, onde minhas raízes se espalmam pelo chão. 
Ia me esquecendo até chegar. Que bom que cheguei aqui:
Aqui onde posso me dividir por inteira.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Minha linha do equador


Em mãos vacilantes trouxe até mim a linha do equador e sorriu. Sorriu e me falou do imenso desmedido. Sorrindo, lá pendurei sonhos e inocências com a esperança de um amor sem chão.Ganhei tua cintura no Pão de Açúcar, tua mão no sinal. Repousei futuro. Espreguicei eternidade. Ao sabor do amor escaparam inocências, calaram sonhos. Andei mundo, andei caminhos. Vivi tuas ausências em cada desencontro. Regi silêncio num instante improviso pra fazer dor chegar aos poucos. Reguei teus espinhos. Guardei distâncias. Esperei emudecer teu coração no meu. Ao sabor do amor reencontrei tua mão vento. Recolhi nossa linha, sonhos e inocências com a certeza de um amor sem chão. E então nós. Nós, nossa casa lar. Nosso ser e estar. Nosso riso vontade. Nosso olhar mar. Além-mar. Além-mais. Nosso lugar mundo. Nosso teto céu. Amor avesso amor. Amor que se espalha em distâncias. Nosso amor relento. Do tamanho do mundo.

É nosso o nosso amor.